
É difícil libertar as amarras dos tolos que as veneram.
A leitura pode engordar a alma ou emagrecer o corpo.
O seu único crime consistia em festejar as opiniões que estava quase a ter.
A desconfiança funciona como uma atracção pouco erótica.
Antes de convidar os outros a trair-nos através de sinais exteriores de impaciência, devemos experimentar primeiro fazê-lo a sós connosco.
O abuso da graça refuta-a; o abuso do sublime, sabota-nos.
A perfeição é uma armadilha que quase sempre nos piora.
Os homens não se medem pela sua relevância histórica, nem por outra coisa do género – mas tornam-se cativantes quando são capazes de nos fazer vibrar com vuluptuosos afectos.
A humanidade só presta serviços a prestações.
A hipótese de uma excelência crítica só faz sentido como um environment de escaramuças teóricas – o aparato crítico é meramente interessante como paisagismo da recepção, e um bom crítico é somente o que destila uma boa prosa que possa excitar vontades, e nunca um papagueador que redobra com conceitos de algibeira opacas aparências.
A guerra é um crime que serve frequentemente para desviar atenções indesejáveis. A justiça serve-a com a hipocrisia a que nos habitua sempre. Afinal nunca haverá justiça?
Pensamentos sem sensações não são admiráveis, e sensações despidas de pensamentos vão-se como os ventos.
O mal é a incompotência em encontrar oportunidades.
Que os deuses tornem propicios os venenos que se escondem nas amizades.
O preconceito é um somatório de razões que finge que não é escravo de meia dúzia de opiniões.

A arte deveria curar em vez de distraír.
A natureza é uma doença esporádicamente saudável.
É dificil distinguir a liberdade alheia das nossas variações disciplinares.
A dignidade prejudica muitas necessidades.
Não nos rendemos às verdades mais evidentes porque desconfiamos quer das evidências quer do que lhe possa estar subjacente.
A verdade é algo mais vicioso do que contemplável.
Não podemos curar os nossos males com pensamentos alheios – por isso temos que forjar farmácias logológicas antes que seja tarde demais.
A minha guerrilha é dizer algo como se pensasse muitas outras coisas.
A natureza é raramente tolerante. Nós fazemos dessa excepção uma etiqueta civilizacional. Mas será que é mais do que uma etiqueta?
Sentimos uma empatia por aquerles que têm um certo embaraço em formular perguntas... porque estas são estranhas.
O mundo é uma intriga que não se consegue cronometrar.
Inventanos causas para poder sentir as trepidações do acaso.
Não sei se concordo com o que digo, mas é provável que o mantenha com unhas e dentes até à morte.
Todos desempenhamos um grande papel, mas a comédia cósmica é mediocre.
Por mais que nos imaginemos culpados (ou alguém de outro) estamos condenados a uma aborrecida inocência.
Um segredo mantem-se dizendo-o como se se trratasse de uma mentira.
Só quando um determinado tipo de ousadia é que está na moda é que esta se torna um sucesso.
O repouso é uma variante inconsciente do tédio.
Será que os homens são culpados das consequências nefastas do bem que fizeram?
Será que a experiência dos outros não deforma a experimentação das nossas experiências?

As discussões prolongam-se pelo prazer de argumentar adversamente mais do que por questões significativas.
Se queres manter um diálogo comigo aceita as mutações de sentido que, tal como Sócrates, eu possa inflingir a vários termos.
Aliviamo-nos quer na tagarelice quer no silêncio.
Os voluptuosos aperfeiçoam-se na devassidão. Os interesseiros associam-se equivocadamente. Os homens ociosos engordam preocupações inuteis. Os poderosos têm aduladores como carraças. Os virtuosos emagrecem no aperfeiçoamento da solidão.
Podemos chamar belas a uma enorme quantidade de coisas, mas as que mais admiramos mantemos desajectivadas.
Emancipamo-nos através do ridiculo. Para isso cultivamos uma retórica desconcertante.
O mundo só será mundo no dia em que enforcamos quer a autoridade quer o que nos desautoriza.
Um ditador esperto não aprova nada.
Os filósofos sentem algum prazer em ser odiados por fanáticos.
Aqueles que dispõe assiduamente de servidores temem acima de tudo a solidão.
O que é a virtude? É a força de dispormos o máximo das nossas potênciais capacidades.
Um bom romance aguenta bem frases e palavras fora do lugar.
Os filósofos até podem ser dedicados amantes da sabedoria ou da verdade, mas dúvido que sejam bons amantes.
Defender a liberdade com astúcia tem servido mais a liberdade do que defendendo-a abertamente.
A amizade é uma promiscuidade entre almas que não se deve sujeitar a nenhum casamento.
As paixões liquidam com frequência solidariedades e convicções.
O prazer é mais forte se acabamos de nos ver livres do sofrimento.
O trabalho é emancipação para uns e escravatura para outros.
A verdadeira ciência faz com que não nos curvemos perante nada... a não ser por divertimento.
É da natureza a natureza corromper.
Os vivos são concorrentes. Os mortos respeitam-se refutados.
Gostamos de ler na história os crimes e as desgraças e aborrecemo-nos com a normalidade e a prosperidade.